Assim como eu, vi mainha, painho e moradores das redondezas fazendo as malas e se preparando para partir. A seca matava alguns junto à fome, miséria e violência. Eu, nada mais procurava do que a liberdade e uns trocados para alimentar-me. Mas o governo já censurava cada palavra que profira e mal consiguia comprar pão todas as manhas, e temo em dizer, estava melhor que muita da gente que aqui vivera. E só tinha uma boca para alimentar.
Dizer que existe um lugar onde não existe fome, hierarquia, onde existe justiça e tranquilidade soa quase como um milagre, e é isso que estavam dizendo do beato. O chamavam por ai de Antônio Conselheiro, um arretado que está formando uma espécie de povoado, não sei bem dizer, ainda não havia lhe posto os pés.
O que ouvia dizer é que a fazenda de canudos estava melhor a cada dia e muitas pessoas disesperadas por de uma vida melhor, longe da exploração dos barões.
Pensava em ir para canudos já que Antônio parecia ter encontrado um lugar para todos que o sigam.
Também ainda não o conhecia, mas uma época ele peregrinava pela minha cidade pregando suas palavras de sacerdote. Me disseram que ele andou mais de 20 anos pelo sertão contando seus milagres. Por mais que era duvidosas suas indagações, um mentiroso não faria com que tantas pessoas o seguissem à um lugar abandonado por não ser produtivo e estabelece praticamente uma sociedade alternativa.
Ultimamente muitos boatos e verdades tavam correndo à respeito da fazenda de Canudos, no interior da Bahia, que tava sendo alvo de muitas críticas, em grande parte pelo governo. Essas alegações não convincentes estava sendo baseadas em atos tratados como "monarquistas". Eu, como vítima direta do governo,não duvidava de que este local estava trazendo um bem enorme para todos que decidem ir. Lá, parece que trabalhávamos para nós mesmos, não enchem os bolsos de barões e pessoas que se auto intitulam melhores por terem nascido em família rica, comemos o que plantamos e não vejo nenhuma atitude monarquista nestes atos.
A cada dia partia mais gente para lá, e amanhã seria eu, caros amigos, o próximo a encontrar um novo caminho.
Caro amigo anônimo!
ResponderExcluirPossuo duas dúvidas vitais para o completo entendimento de sua ideologia...:
Na verdade, não se sabe necessariamente quem é o senhor, se é ou não um trabalhador explorado do interior da Bahia ou de outra eventual localidade!! Deste modo, sua devida identificação facilitaria suas argumentações favoráveis á revolta!
Em segundo lugar, proponho-lhe uma reflexão acerca do real motivo que vos levara á comunidade de canudos... Não seria um tanto ariscado acompanhar uma sociedade que, apesar de pertencer ao território nacional, é alheia a qualquer norma e lei brasileira, somente com base em boatos populares ouvidos nas ruas? Não seria melhor partir para uma negociação que aviltasse essa futura revolução??
Amigo Costa, com as condições de vida que levo nada é mais comum do que a procura por uma vida melhor. A esperança deve existir e as oportunidades aproveitadas. O que é a vida sem alguns riscos não é mesmo? Além disso, estamos ainda no começo de minha história, que é para comover e mostrar um pouco do que não apenas eu, mas também muitas pessoas viveram nesse mesmo contexto. . Nós não somos completamente alheios às leis brasileiras, somos apenas contra ao fato do governo federal cuidar apenas das zonas ricas do país e isquecer-se do nordeste, alem da cobrança de impostos abusivos que ele faz, afinal de contas, o governo so lembra dessa gente na hora de cobrar os impostos, não é mesmo? Revoluções? ! Não meu caro, jamais esse termo fez parte do objetivo desta gente. Se vai acontecer algo semelhante no futuro eu não sei, pois ainda conto o início de uma história.
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