sexta-feira, 6 de maio de 2011
O ultimo suspiro.
Canudos foi um lugar que ficará marcado pelo exemplo de busca por mudança e liberdade, mesmo sendo liderado por um autodenominado messias, seus ideáis atrairam todo que queriam mudar de vida, pois estavam cansados de exploração. A cada dia essa comuniade crescia, não só em número de pessoas mas também de inimígos, que acusavam como uma revolta de causa inescrupulosa.Muitas foram as brigas e as lutas pela sobrevivência, mas cada vez mas percebiamos que nosso destino estava sendo trassado e com um golpe final um sonho que muitos compartilhavam foi destruido. Essa ultima derrota pode ser considerada um ultimo suspiro de liberdade em canudos, que some em um genocídio com um precedente bem claro. Foi uma batalha que marcará para sempre a terra de canudos, um governo repressor e a alma de todos que lutam e lutarão por liberdade nesta terra maravilhosa.
5 de Outubro
Eu diria que o povo de canudos soube aproveitar o que a natureza lhe oferecia, mas chegara um momento em que isso já era insuficiente. Mas tentávamos acabar com a comida e acrescentar emboscadas. Na terceira expedição já tínhamos estratégia e pouca força de vontade, o que fez com que a ganhássemos. Porém, as forças diminuíam. A esperança também à medida eu todos iam se desgastando. Antônio já comentava que a quarta luta seria definitiva, e que o máximo que ele poderia fazer era entregá-la a Deus. Conseguimos até capturar o canhão Kupp, fabricado na Alemanha. Mas o fim já estava próximo, e nossas alegrias não durariam para sempre, nós não tínhamos mais esperança, não era mais possível tê-la. Sobraram um velho, um menino e dois adultos, dentre eles eu, que preferia ter morrido ao ver toda aquela tragédia sobre meus pés. Ate que, por um breve momento, eu consegui abrir os olhos em meio a tanto sangue, e apenas vi quando uma bala atinge a pilastra da igrejinha e seus estilhaços infectam-no. Não, não consigo definir quem. E jamais iria atrás, pois já era sofrimento demais para minha alma. No fim. Nosso querido Conselheiro foi exumado e a cabeça teve cortada.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Segunda Expedição
O nordeste brasileiro sofria com as secas, que assolavam toda a região, acabando com as plantações de alimentos, matando as criações de animais e secando os reservatórios de água. Todos os anos, a fome e a sede matavam milhares de sertanejos.
As condições de miséria das populações que habitavam o interior do Nordeste brasileiro favoreciam a ocorrência de conflitos e revoltas sociais. Os sertanejos formavam bandos de cangaceiros que aterrorizam as populações locais e atacavam as fazendas dos coronéis, roubando tudo que podiam.
O cangaço era uma das formas mais comuns de luta contra a miséria e a fome. O emprego da violência de forma rotineira e de caráter vingativo, são as marcas do cangaço. Enquanto aguardávamos uma nova investida do governo, nós, os jagunços, depois de atravessar a serra do Cambaio, uma segunda expedição militar contra Canudos foi atacada no dia 18 e repelida com pesadas baixas pelos conselheiristas, que se abasteciam com as armas abandonadas ou tomadas à tropa. Os sertanejos mostravam grande coragem e habilidade militar, enquanto Antônio ocupava-se da esfera civil e religiosa. Foi apenas mais uma vitória.
O cangaço era uma das formas mais comuns de luta contra a miséria e a fome. O emprego da violência de forma rotineira e de caráter vingativo, são as marcas do cangaço. Enquanto aguardávamos uma nova investida do governo, nós, os jagunços, depois de atravessar a serra do Cambaio, uma segunda expedição militar contra Canudos foi atacada no dia 18 e repelida com pesadas baixas pelos conselheiristas, que se abasteciam com as armas abandonadas ou tomadas à tropa. Os sertanejos mostravam grande coragem e habilidade militar, enquanto Antônio ocupava-se da esfera civil e religiosa. Foi apenas mais uma vitória.
domingo, 1 de maio de 2011
Primeira Expedição
Na fazenda de Canudos existia um conforto espiritual que ninguém ali conhecia. A população apenas dedicava-se às culturas de subsistência, ao artesanato e à construção de casas. A influência que Antonio tinha sobre todos que nem ao menos o conhecia era impressionante. Isso começou a tornar se uma ameaça para os coronéis, que perdiam a influencia sobre as pessoas. Eles acusavam o conselheiro de inimigo da república, pois ele direcionava suas criticas ao governo por ele ter separado a Igreja do estado e por ter instituído o casamento civil. de fato, as ideias de antonio apresentavam ousadia e coragem, mas nada que afastava-se da realidade vivida. isso era o mais preocupante, alguém que conseguiu chegar tão perto da verdade que as pessoas faziam questão de esconder ou até mesmo fingir sua existência. Após antonio abolir a propriedade privada e se recusar a pagar os impostos, o governo achou que precisava agir, e isso foi a gota d água de uma vida serena, tranquila e pacífica que muitos ali aprendiam, rapidamente, a amar. inclusive eu, que apesar de n concordar, inicialmente, com todas as ideologias e propostas de conselheiro, aprendi a valorizar e até mesmo depender de uma vida feliz que antes não conhecera. Como pretexto para acabar logo com essa ameaça, o governo lança a primeira expedição. ela não foi capaz de destruir valores morais e sentimentos fortes de união criados ali em tão pouco tempo.
Padres e coronéis começavam a fazer pressão para que o governador da Bahia acabasse com Canudos. Na imprensa, os intelectuais e jornalistas condenavam os habitantes da comunidade sob a acusação de quererem restabelecer o regime monárquico, caracterizando os sertanejos como um bando de "fanáticos" e "degenerados". Comandada pelo tenente Manuel Pires Ferreira,a primeira expedição foi composta por poucos homens. Eles dormiam em UAUÁ e foram surpreendidos à noite. Eu não pude participar por um machucado que havia conseguido no joelho tornando-me imobilizado. ela terminou sendo vencida pelos fiéis de Antônio Conselheiro, que estavam sob o comando de Pajeú e João Abade. isso abalou profundamente Floriano Peixoto, que já apontava a primeira expedição como unicamente necessário para o fim de tal pesadelo.
Bibliografia:
quarta-feira, 27 de abril de 2011
O peso do barões.
Sempre amei minha terra, e se um dia tive que sair de lá, fora somente porque fui obrigado a fazê-lo. Estou hoje em Canudos e com a nova vida já me acostumei, fiz amigos e conheci pessoas que sofreram ao deixar a terra assim como eu. Falei com gente de toda parte debaixo do sol, conversei com sertanejos que agora estão todos como eu, numa terra produtora de cachimbo de barroco, no Belo Monte de Antonio Conselheiro.
Dia desses, cheguei na terra para trabalhar e conheci uma família, que caminhou uns três quatro dias para chegar até aqui, moravam em uma terra não muito longe. Eles me contaram o tanto que as pessoas sofriam com a exploração dos barões, chegava a ser pior do que comigo, que sempre morei na cidade.
Disseram-me que o coronel era um grande fazendeiro que usava seu poder para garantir a eleição dos candidatos que apoiava, era usada uma espécie de voto de cabresto, onde o coronel obrigava e impunha a violência aos eleitores que não votavam nos candidatos apoiados por ele, mas que em época de eleição a mesa até que era farta porque a bondade do governo aumentava.
Voto aberto, e lógico, para a minoria, assim como na cidade. Disseram eles que o coronel utilizava outros "recursos" para conseguir seus objetivos políticos, por exemplo - compra de votos, votos fantasmas, troca de favores, fraudes eleitorais e violência. Além do Coronel, havia o governador, atua sem oposição nas assembléias e é claro o Presidente que conta com o apoio dos deputados federais sendo ocasional a oposição. Eram todos de uma turma só, lhes parecia.
Disseram-me que o coronel era um grande fazendeiro que usava seu poder para garantir a eleição dos candidatos que apoiava, era usada uma espécie de voto de cabresto, onde o coronel obrigava e impunha a violência aos eleitores que não votavam nos candidatos apoiados por ele, mas que em época de eleição a mesa até que era farta porque a bondade do governo aumentava.
Voto aberto, e lógico, para a minoria, assim como na cidade. Disseram eles que o coronel utilizava outros "recursos" para conseguir seus objetivos políticos, por exemplo - compra de votos, votos fantasmas, troca de favores, fraudes eleitorais e violência. Além do Coronel, havia o governador, atua sem oposição nas assembléias e é claro o Presidente que conta com o apoio dos deputados federais sendo ocasional a oposição. Eram todos de uma turma só, lhes parecia.
O povo aqui reza muito. Até eu, que costumava não ter Deus certo, aprendi a ter uma fé grande, porque assim, com uma vida melhor, uma alimentação melhor e uma liberdade quase que plena, fica fácil acreditar em algo maior.
No entanto ouvi uma conversa de que Antonio andou falando que lutaria o primeiro, segundo e terceiro fogo, mas que entregaria o quarto a bom Jesus. Meus companheiros não entendem do que se trata, pensam ser um devaneio ou apenas ignoram e continuam a vida assim, mas eu desconfio que vem luta por aí. Imaginei que o governo não tardaria a tentar combater-nos. Ainda mais quando li o último jornal antes de partir para Canudos, onde o governo claramente nos chamava de monarquistas e alguns até ousavam dizer, socialistas e comunistas.
Não sei se isso convencerá os latifundiários, barões e burgueses, porque o dinheiro parece corromper as pessoas, ou pelo menos a visão destas. Nunca conheci muitos detentores de capital que viessem a entender o que o povo passa. Mas mesmo assim, tentarei explicar, por meio de um simples exemplo que vejo muito por essas terras acontecer.
Era hora do almoço e eu conversava com algum de meus companheiros que trabalharam mais cedo em minha companhia, quando lhes perguntei sobre política, monarquia e assuntos relacionados a maioria respondeu que nada entendia sobre isso, mas que ainda tinha esperanças na volta da família real. Não sou um grande sábio, mas de tal inocência passo longe.
Boa noite, caros amigos, é hora da missa, mais tarde volto a escrever-lhes.
Bibliografia:
http://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/coronelismo-no-brasil.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Coronelismo
obra: os sertões _ Euclides da Cunha
http://pt.wikipedia.org/wiki/Coronelismo
obra: os sertões _ Euclides da Cunha
domingo, 24 de abril de 2011
Primeiras Impressões
Confesso que imaginava Canudos como uma espécie de paraíso, principalmente após a longa e cansativa caminhada que eu e todos os outros fizemos para alcançá-lo. Essa ideia ganhava força a cada passo que dávamos, a cada gota de suor que escorria por nosso corpo. Imaginávamos as pessoas incrivelmente felizes, uma bela paisagem, comida, água e principalmente justiça e liberdade.
Não posso deixar de dizer que me decepcionei em primeiro momento. Ao chegar, após um tremendo esforço e força de vontade, me encontrei em um lugar seco, quente, com várias pessoas que pareciam ser castigadas pela terra em que agora viviam. As condições estruturais da terra lá se vincularam à violência máxima dos agentes exteriores para o desenho de relevos estupendos. O regímen torrencial dos climas excessivos, sobrevindo, de súbito, depois das insolações demoradas, e embatendo naqueles pendores, expôs há muito, arrebatando-lhes para longe todos os elementos degradados, as séries mais antigas daqueles últimos rebentos das montanhas: todas as variedades cristalinas, e os quartzitos ásperos, e as filades e calcários, revezando-se ou entrelaçando-se, repontando duramente a cada passo, mal cobertos por uma flora tolhiça — dispondo-se em cenários em que ressalta predominante, o aspecto atormentado das paisagens.
Mas de qualquer maneira, isso não me abalou. Apesar da seca e de as condições não serem tão melhores das que eu possua em meu antigo lar, ali a liberdade fluia como o ar flui em nossos pulmões. As pessoas ali me receberam bem, éramos todos como uma família só, não havia melhores ou piores. Agora, todo o nosso suor renderia em resultados que beneficiariam apenas a nós mesmos. Tudo o que conseguíssemos era para nosso bem estar, não devíamos nada ao governo que sempre sugava o que tínhamos como vermes.
A cada pessoa com que eu conversava, principalmente sobre as ideias de Antônio Conselheiro, era notável que a nossa única intenção era realmente viver em paz, apenas para nós mesmos, sem atrapalhar e nem dever nada a ninguém. Todos confiavam cegamente em Antônio Conselheiro. Mesmo que a nossa vida não fosse incrível ali, havia uma grande fé de que ele era capaz de nos mandar para um lugar melhor após nossa morte. Isso era o que todos acreditavam, era o que ele dizia, e em pouco tempo, em meio a tantos pensamentos positivos e tanta paz, eu percebi que eu já acreditava também.
Bibliografia: Obra Os Sertões
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Dia 1.
Caros amigos, depois de minha decisão de ida para Canudos, procurei informar-me melhor sobre a nova vida que levaria e os novos preceitos de Antônio que começaria a seguir. Eis então alguns detalhes que descobri sobre esse profano.
É um cearense de nascimento, Antônio Vicente Mendes Maciel, mas o chama de Antônio Conselheiro, pelos conselhos dados a todos, foi educado para seguir carreira religiosa. Seu pai, era um pequeno comerciante que morreu em 1857. Depois desse triste fato, Conselheiro teve de abandonar seus estudos para cuidar do que o pai havia lhe deixado. Porém totalmente despreparado para a tal atividade, resolveu abandonar o comércio e passou a perambular pelo sertão. Começou então sua pregação na Bahia, reunindo um grande número de pessoas injustiçadas. Logo depois, queimou, em 1893, os editais de cobrança de impostos municipais em Bom conselho. Foi a partir desse momento, que ele e seus seguidores foram perseguidos pela polícia, tendo como única alternativa o refúgio para a fazenda de Canudos.
Que é a parte da história em que me encontro.
E é hoje, que começo a minha viagem, coletei as informações de que preciso e meu destino já é mais do que certo. A cada dia encontro mais conhecidos que estão partindo para canudos, e aproveitarei um desses grupos para me juntar, em algumas horas.
Bibliografia:
"Toda a História: História Geral e História do Brasil" José Jobson de A. Arruda e Nelson Piletti, Ed. ática
domingo, 17 de abril de 2011
O início do Fim
Assim como eu, vi mainha, painho e moradores das redondezas fazendo as malas e se preparando para partir. A seca matava alguns junto à fome, miséria e violência. Eu, nada mais procurava do que a liberdade e uns trocados para alimentar-me. Mas o governo já censurava cada palavra que profira e mal consiguia comprar pão todas as manhas, e temo em dizer, estava melhor que muita da gente que aqui vivera. E só tinha uma boca para alimentar.
Dizer que existe um lugar onde não existe fome, hierarquia, onde existe justiça e tranquilidade soa quase como um milagre, e é isso que estavam dizendo do beato. O chamavam por ai de Antônio Conselheiro, um arretado que está formando uma espécie de povoado, não sei bem dizer, ainda não havia lhe posto os pés.
O que ouvia dizer é que a fazenda de canudos estava melhor a cada dia e muitas pessoas disesperadas por de uma vida melhor, longe da exploração dos barões.
Pensava em ir para canudos já que Antônio parecia ter encontrado um lugar para todos que o sigam.
Também ainda não o conhecia, mas uma época ele peregrinava pela minha cidade pregando suas palavras de sacerdote. Me disseram que ele andou mais de 20 anos pelo sertão contando seus milagres. Por mais que era duvidosas suas indagações, um mentiroso não faria com que tantas pessoas o seguissem à um lugar abandonado por não ser produtivo e estabelece praticamente uma sociedade alternativa.
Ultimamente muitos boatos e verdades tavam correndo à respeito da fazenda de Canudos, no interior da Bahia, que tava sendo alvo de muitas críticas, em grande parte pelo governo. Essas alegações não convincentes estava sendo baseadas em atos tratados como "monarquistas". Eu, como vítima direta do governo,não duvidava de que este local estava trazendo um bem enorme para todos que decidem ir. Lá, parece que trabalhávamos para nós mesmos, não enchem os bolsos de barões e pessoas que se auto intitulam melhores por terem nascido em família rica, comemos o que plantamos e não vejo nenhuma atitude monarquista nestes atos.
A cada dia partia mais gente para lá, e amanhã seria eu, caros amigos, o próximo a encontrar um novo caminho.
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