sexta-feira, 6 de maio de 2011

5 de Outubro

Eu diria que o povo de canudos soube aproveitar o que a natureza lhe oferecia, mas chegara um momento em que isso já era insuficiente. Mas tentávamos acabar com a comida e acrescentar emboscadas. Na terceira expedição já tínhamos estratégia e pouca força de vontade, o que fez com que a ganhássemos. Porém, as forças diminuíam. A esperança também à medida eu todos iam se desgastando. Antônio já comentava que a quarta luta seria definitiva, e que o máximo que ele poderia fazer era entregá-la a Deus. Conseguimos até capturar o canhão Kupp, fabricado na Alemanha. Mas o fim já estava próximo, e nossas alegrias não durariam para sempre, nós não tínhamos mais esperança, não era mais possível tê-la. Sobraram um velho, um menino e dois adultos, dentre eles eu, que preferia ter morrido ao ver toda aquela tragédia sobre meus pés. Ate que, por um breve momento, eu consegui abrir os olhos em meio a tanto sangue, e apenas vi quando uma bala atinge a pilastra da igrejinha e seus estilhaços infectam-no. Não, não consigo definir quem. E jamais iria atrás, pois já era sofrimento demais para minha alma. No fim. Nosso querido Conselheiro foi exumado e a cabeça teve cortada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário